quarta-feira, 7 de abril de 2021

Figuras de linguagem II

Você já conhece a metáfora e a personificação (prosopopeia). Agora, vamos falar um pouco  sobre outras duas figuras de linguagem. A anáfora e a hipérbole.

ANÁFORA - figura de linguagem que consiste na repetição de palavras ou expressões no início de versos, frases ou orações. Observe alguns exemplos:

"Há flores cobrindo o telhado
E embaixo do meu travesseiro
Há flores por todos os lados
Há flores em tudo o que eu vejo"

                                         (Titãs - Flores)


"Eu moro com a minha mãe
Mas meu pai vem me visitar
Eu moro na rua, não tenho ninguém
Eu moro em qualquer lugar

Já morei em tanta casa
Que nem me lembro mais

Eu moro com os meus pais"
                                      (Legião Urbana - Pais e filhos)

"E a gente canta
E a gente dança
E a gente não se cansa
De ser criança
A gente brinca
Na nossa velha infância..."

                        (Marisa Monte e Arnaldo Antunes - Velha infância)

HIPÉRBOLE - figura de linguagem que consiste no exagero. Observe:


"Pertinho da minha casa
Já virou uma lagoa
Com lágrimas dos meus olhos

Por causa de uma pessoa"
                         (Rio de Lágrimas - Almir Sater)

Já no título da música, temos um exemplo de hipérbole, pois trata-se de um exagero dizer que é possível formar um rio, apenas com lágrimas. No trecho, a hipérbole é muito semelhante, pois fala de uma lagoa formada pela lágimas do eu-lírico.



"Eu nasci há dez mil anos atrás
e não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais 

Eu vi Cristo ser crucificado
O amor nascer e ser assassinado
Eu vi as bruxas pegando fogo para pagarem seus pecados,
Eu vi,
Eu vi Moisés cruzar o mar vermelho
Vi Maomé cair na terra de joelhos
Eu vi Pedro negar Cristo por três vezes diante do espelho
                                (Raul Seixas - Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás)

A letra da música acima também apresenta exemplos clássicas de hipérbole Encontramos o exagero, por exemplo, em afirmações como: nasci há dez mil anos, vi Cristo ser crucificado,  vi Moisés cruzar o mar vermelho, entre outras.

terça-feira, 13 de novembro de 2018

O Escaravelho do Diabo

Olá! Se você ainda não possui o livro O escaravelho do diabo, acesse o link abaixo e faça a leitura em PDF.

Link:
O ESCARAVELHO DO DIABO






terça-feira, 19 de junho de 2018

Concordância verbal

De acordo com a norma culta o verbo deve sempre concordar em pessoa e número com o sujeito.

A borboleta voava pelo jardim. - 3ª pessoa do singular
As borboletas voavam pelo jardim. - 3ª pessoa do plural

Eu estudo para a prova. - 1ª pessoa do singular
Nós estudamos para a prova. - 1ª pessoa do plural

A porta está aberta - 3ª pessoa do singular
A porta e a janela estão abertas. - 3ª pessoa do plural

A gente se preocupa com o planeta. - 3ª pessoa do singular
Nós nos preocupamos com o planeta. - 1ª pessoa do plural

Há algumas regrinhas especiais que merecem nossa atenção:

  • Se o núcleo do sujeito for um substantivo coletivo, o verbo deve ser flexionado no singular:
                A assembleia dos deputados se reuniu mais uma vez para discutir sobre a nova lei.
  • Quando o sujeito for uma palavra que só é usada no plural, se vier acompanhada do artigo, o verbo fica no plural. Se a palavra não estiver acompanhada do artigo, o verbo fica no singular:
As férias estão chegando.
Férias é tudo de bom.
  • Quando o verbo  vier depois do sujeito composto, ele pode concordar com o núcleo mais próximo ou com os dois núcleos:
Chegaram atrasados Marcelo e seu filho.
Chegou atrasado Marcelo e seu filho.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Exercícios - Figuras de linguagens II

1. Observe o poema de Carlos Drummond de Andrade:

José

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio — e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

Identifique no poema exemplos de ANÁFORA.

2. Observe a seguir a letra da música de Roberto Carlos e identifique um exemplo de anáfora e um exemplo de hipérbole:

"Eu quero apenas olhar os campos
Eu quero apenas cantar meu canto
Eu só não quero cantar sozinho
Eu quero um coro de passarinhos

Quero levar o meu canto amigo
A qualquer amigo que precisar
Eu quero ter um milhão de amigos
E bem mais forte poder cantar"

3. Observe a imagem a seguir e explique a hipérbole presente nela.

segunda-feira, 5 de março de 2018

Figuras de Linguagem I

Figura de Linguagem é um recurso em que se usa as palavras em um sentido figurado, ou seja, as palavras são usadas com um sentido diferente daqueles que normalmente conhecemos.
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METÁFORA

A metáfora é um tipo de comparação implícita. O que é isso? É quando eu comparo duas coisas aparentemente diferentes, mas que se eu olhar atentamente, pensar bem, posso encontrar alguma semelhança entre elas.
Vamos entender:

Quando eu digo:

Meu pai é bravo como uma fera!

Estou comparando MEU PAI com UMA FERA. Trata-se de uma comparação explícita. Por quê?
Porque eu usei o termo comparativo: COMO.
E ainda deixei bem claro o que existe em comum entre os dois: SÃO BRAVOS.

Agora, observe:

Se eu disser:

Meu pai é uma fera!

Eu estou igualando duas coisas aparentemente diferentes. É preciso pensar um pouco e descobrir o que O PAI e A FERA têm em comum.

Nesse caso, em que a comparação é implícita, temos uma METÁFORA.


Vamos conhecer alguns outros exemplos de metáfora:
  • Aquela menina é um doce!
  • Não pense que a vida é um mar de rosas.
  • Meu professor é um poço de sabedoria
  • Minha vida é um inferno.
  • "As mãos que dizem adeus são pássaros que vão morrendo lentamente..." (Mário Quintana)
  • "Borboletas sempre voltam e o seu jardim sou eu..." (Victor e Leo)
ANTÍTESE

A antítese apresenta a combinação de palavras, expressões e ideias opostas, contrárias dentro de um mesmo contexto, para construir um determinado sentido.

"Toda pedra do caminho
Você pode retirar
Numa flor que tem espinhos
Você pode se arranhar
Se o bem e o mal existem
Você pode escolher
É preciso saber viver"
                            (Titãs)


"Quero vivê-lo em cada vão momento
E em louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento."

                  (Soneto de fidelidade -Vinícius de Moraes)


PERSONIFICAÇÃO ou PROSOPOPEIA

A personificação ou prosopopeia é uma figura de linguagem utilizada quando se dá uma característica humana a seres irracionais ou objetos. A personificação é muito comum em fábulas, pois os personagens, geralmente, são animais que falam e agem como humanos.

Veja alguns exemplos:


"Um rato que morava na Cidade, acertando de ir ao campo, foi convidado por outro, que lá morava, e levando-o à sua cova, comeram ambos coisas do campo, ervas e raízes." 

                                                                                                                      (O Rato do campo e o Rato da cidade)


Hoje o dia amanheceu feliz!

Nada mais pude fazer, a não ser aceitar a “sinistra face da morte”. (A morte ganha uma face e assume a característica de ser sinistra)

"Aprendi o segredo, o segredo 
O segredo da vida 
Vendo as pedras que choram sozinhas 
No mesmo lugar."
(
Medo da chuva - Raul Seixas)